Posts de Junho, 2006

As Minhas Copas do Mundo – 5

Junho 26, 2006

Sobre 82 muito já se falou e ainda se falará. Provavelmente a 2° melhor seleção de todos os tempos, só superada pela de 70. Carregando o estigma de não ter vencido.

Um time quase perfeito, montado pelo mestre Tele Santana. 

Apesar de que a meta deveria ter sido defendida por Leão e não por Valdir Perez, e nosso centroavante Careca, e não Serginho, grande goleador mas que destoava do estílo clássico do resto do time.

Nesta Copa eu já havia começado a trabalhar e ai já havia o frisson pré-partidas. Sair correndo do trabalho para acompanhar as partidas, vendo a agitação das pessoas com a camisa da seleção.

O narrador da Globo era o bom Luciano do Valle e acho que foi nesta Copa que tinha a coisa da assinatura dos jogadores após os gols. Ou seja o jogador autor do gol dava um “autografo na tela”.

Em fase de contestação nesta Copa eu tinha uma grande simpatia pela Itália, torcendo inclusive pela Azurra. Exceto contra o Brasil!

Eins que o destino coloca a Itália no caminho do Brasil, e estamos prontos, em casa, para assistir a partida. Na arquibancada meu pai, minha mãe, eu e meu irmão mais velho. 3 x 1 prá Itália? Não 2 x 2, pois meu irmão apesar de ter nascido na Itália era uma fanático torcedor canarinho, que se tornou santista devido aos shows de Pelé.

A partida caminhava e meus pais que torciam timidamente foram se inflamando e irritando meu irmão mais velho, e o clima esquentando. E em um momento de tensão, que culminou com o gol do Paolo Rossi, eu tive que intervir para que meu irmão respeitasse o direito de torcida dos velhos, no melhor espírito “fair play”. Uma cena digna de um filme de Fellini.

O resto virou história. A Itália que começou com uma campanha mediocre cresceu na competição e acabou faturando, vencendo a Alemanha na final.

Além de um futebol inesquecível, lembrado e respeitado no mundo todo, a Copa deixou uma inesquecível capa do Jornal da Tarde. Trazendo em destaque a foto abaixo.

 Jornal da Tarde - Copa 82

As Minhas Copas do Mundo – 4

Junho 26, 2006

78 foi um ano cruscial para a minha carreira no futebol, que nunca mais foi a mesma. 

Jogava muito (no sentido de quantidade e não de qualidade) e sempre, após as partidas, sentia uma dor horrível nos joelhos. A ponto de não conseguir dobrá-los. Em uma visita ao médico o veredito foi orto-condrose (não estou bem certo se este era o nome). O tratamento, operação ou imobilização. Meu empresário, (minha mãe) optou pela imobilização. Desta forma ganhei uma infiltração em cada joelho (uma injeção tamanho família) e as pernas engessadas. Pensa só um mês sem poder sair de casa, ir na escola, etc e tal.

O único consolo é que a imobilização ocorreria no período da Copa e poderia assistir a todas as partidas. O sonho de qualquer amante do futebol.

Porém a Copa não foi nada emocionante, a ponto de deixar quase nada digno de nota. O Brasil apresentou um futebolzinho burocrático que levaria o título de ”campeão moral”. A Argentina no melhor espírito “pátria de chuteiras”, estrapolando para os ”povos hermanos” como os peruanos, por exemplo!

As partidas do Brasil eram acompanhadas em casa, logicamente pela dificuldade de locomoção, junto com os amigos de um do meus irmãos que aproveitavam para decorar o meu gesso com as carinhas dos integrantes da banda Kiss.

Nesta época a música já dividia a atenção com o futebol e as brincadeiras de criança. As principais influências eram os meus irmãos, e daí a vantagem de ter muitos irmãos, com gostos bem diferentes.

Lá pró final da Copa não via a hora de tirar o gesso, e quando finalmente ele foi retirado, no mesmo dia, corri prá escola. Correr é força de expressão, pois mal conseguia andar. Mas mesmo assim enfrentei o desafio, pois o que eu mais queria era ir pra escola, nem tanto para estudar e sim para reencontrar os colegas.

Kiss

As Minhas Copas do Mundo – 3

Junho 23, 2006

Na copa de 74 minhas escolhas já haviam sido feitas. Ao invés de marcar gols eu tentaria evitá-los.  Meus ídolos? Emerson Leão e Sepp Mair.

 As Minhas Copas do Mundo - 3. Seep Maier, o grande goleiro da Alemanha. Eu tinha um uniforme igual ao dele!      As Minhas Copas do Mundo - 3. Rei Leão.

Meu clube, a Sociedade Esportiva Palmeiras, vivia uma época de glórias, antes de um longo período de estiagem. Na Itália minha simpatia era pela gloriosa Juventus de Turim (ainda falarei muito dela), despertada pelo centroavante Roberto Bettega.

Meu tempo era ocupado pela escola e pelo futebol nos formatos: rádio, tv, de rua e de botão. Esta não foi uma Copa que empolgou. Acho que ainda não tinha maturidade para entender, e prestar atenção, na Laranja Mecânica e identificar a sua importância para o futebol mundial. Nossa seleção não transmitia confiança, apesar de contar com vários craques do melhor time da época, o meu Palmeiras, é claro! É frustrante lembrar que um jogador da categoria de Ademir da Guia não teve oportunidade, jogando apenas na decisão do 3°e 4° lugares.

Meus melhores momentos:

- a abertura da Copa com umas bolas que se abriam e que apresentavam manifestações culturais dos países participantes.

- o sufoco da primeira fase.

- o jogador do Zaire pegando pelo pescoço um dos nossos.

- o gol de falta de Rivelino (olha ele ai de novo!) contra a Alemanha Oriental colocando a bola no espaço deixado por Jairzinho que havia se infiltrado na barreira alemã.- a nossa clamorosa derrota frente à potência holandesa.

- o boato (que seria confirmado no futuro) da porrada que o Leão havia aplicado no lateral Marinho Chagas que se mandava para o ataque deixando a defesa descoberta.

- o gol de falta de Nelinho na decisão de 3° e 4° contra a Itália.

A final transcorreu sem grandes emoções durante o tradicional almoço dominical familiar em que o macarrão era sempre titular.

           

As Minhas Copas do Mundo – 2

Junho 22, 2006

A primeira que procurei foi a de 66. Mas nada! Nem um rojão, um grito de gol que tivesse me acordado. Nesta fase eu estava mais preocupado com o leitinho de cada dia ou com a fralda molhada. Melhor assim, afinal o desempenho da seleção não foi digno de lembrança.

Na de 70 eu tinha 5 anos e pouco, e foi uma Copa inesquecível. Pelo menos é o que sempre me disseram. E o que depois eu pude ver, com meus próprios olhos, nas reprises dos jogos. Lembrar mesmo só de poucas coisas. A primeira é do jogador Petras da Tchecoslováquia, comemorando o gol contra o Brasil de joelhos fazendo o sinal da cruz, ato que repeti nas brincadeiras dos dias seguintes ao jogo. A mesma comemoração foi também repetida, várias vezes, por Jairzinho.

Esta já era uma Copa de televisão, mas na lembrança seguinte estou sentado no chão da sala brincando, provavelmente de forte apache ou futebol de botão, e o rádio ao fundo narrando Itália e Alemanha, pelas semifinais da Copa. Um sensacional 4 x 3, decidido na prorrogação. Como somos imigrantes italianos, em casa, sempre torcemos por 2 seleções, Brasil e Itália. Em 70 acho que não teve confusão, mas nas Copas seguintes….. mas isto fica para os próximos capítulos.

Na seqüência já vem a final. Brasil x Itália, numa tarde de domingo. Morávamos em um pequeno prédio do Bixiga e tínhamos como vizinhos um casal de italianos, vindos da mesma cidade dos meus pais, o Mário e a Sisina (apelido de Tereza). Por alguma razão, lá estava eu assistindo o jogo com eles e me recordo muito bem do Mário orgulhoso de pé, vestindo uma “canutiera” (aquelas camisetas brancas sem mangas, prudentemente utilizadas pelos italianos por baixo da camisa), com a mão no peito cantando o hino da Itália. Fiquei por lá até o Brasil virar o jogo, apagar a empolgação do Mário, e entrar para a história como a melhor seleção de todos os tempos. Se apagou da minha memória o fim do jogo, os fogos, a comemoração…

No dia seguinte ao título estou sentado na escada do prédio brincando com uma linda menina, loirinha, olhos claros chamada Célia, neta de outros vizinhos. Nas mãos um adesivo da Copa com o Tigrão da Esso, que ganhei de meu pai.

Alguns dias depois meu irmão mais velho aparece em casa com um pôster, acho que editado pela Placar, que trazia uma ilustração de um brasileiro segurando a taça Jules Rimet e pulando com as travas da chuteira na língua de um mestre cuca italiano, para indignação da minha mãe, que até hoje não se conforma cada vez que a Azurra é vencida pelo escrete canarinho.

Outra coisa que impressionou um garoto de 5 anos e pouco, foi uma foto da comemoração de um gol do Brasil. Acho que dá final, que mostrava os jogadores em 3 planos, Jairzinho ajoelhado, Pelé dando o soco no ar e mais alguém chegando ao fundo. Acho que era isso e nunca mais vi esta foto! 

A última lembrança é da chegada dos campeões. Como morávamos próximos da Federação Paulista de Futebol, fui levado pela minha mãe para ver os jogadores que desfilaram pela cidade em um carro de bombeiros. Era uma grande multidão e eu pequenininho lá no meio tentando ver alguma coisa. Provavelmente os jogadores paulista, Leão, Ado, Clodoaldo, Carlos Alberto… Mas de um eu me lembro muito bem. Roberto Rivelino e sua patada atômica!

Curioso notar que de futebol mesmo (gol, jogadas, dribles e defesas) não lembro de nada. Nesta fase me ligava mais nas coisas que estavam ao redor do que com o próprio futebol. 

 brasil701.jpg

As Minhas Copas do Mundo – 1

Junho 22, 2006

Não sou muito chegado a exercícios físicos. O que eu gosto mesmo é de exercitar a cabeça. Ponho a cabeça pra “malhar” e vejo até onde ela consegue ir.

Um exercício que faço, às vezes, é tentar voltar pra traz e identificar a primeira lembrança que tenho da vida. Não há nada de especial nisso e provavelmente muita gente já fez ou ainda tenta fazer o mesmo. Fico assim parado e vou tento buscar referências, fatos, idéias, pra ver até onde isso vai dar. Muitas vezes procuro ajuda nas pessoas próximas, nas fotos, um fato, um objeto, algo que desencadeie uma avalanche de lembranças. Devo confessar que o desempenho da minha cabeça não é lá essas coisas. Nunca consegui ir muito longe, e mesmo assim quando aparece algo não é muito rico em detalhes.

Nestes dias comecei a ler “O Guia Cult para a Copa do Mundo”, um livro com diversos textos de autores dos países que disputam a Copa. Na introdução do livro há um relato dos editores sobre as suas experiências nas Copas.

Resolvi então revirar a minha cabeça para ver quais eram as minhas lembranças das diversas Copas, desde que coloquei os pés neste planeta redondo.

Pontapé

Junho 21, 2006

Há algum tempo sinto vontade de escrever. Quando a vontade vem eu fico parado e em silêncio até a vontade passar… Hoje ela não passou.

Então prá começar um rápido FAQ: 

P: Quem é você?

R: Se você não sabe, provavelmente chegou aqui por engano. Então se comporte direitinho ou os seguranças vão te por prá fora.

P: O que é esse tal de Bebop?

R: Digamos que é uma religião que não cobra dízimo e tem um monge entre seus criadores. Um gênero musical que, no final da primeira metade do século passado, quebrou as estruturas e revolucionou o jazz.  Música para ser ouvida com ritmo, velocidade, virtuosismo, improvisação e complicadas harmonias. Não é prá qualquer um não. Quer saber mais? Ouça Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk.

P: O que é essa coisa escrita embaixo do nome?

R: "Ccà nisciuno è fesso" é um proverbio napoletano que quer dizer, aqui ninguem é estúpido, bobo, trouxa…

P: O que eu vou encontrar aqui ?

R: Digamos que é a "Caras" da minha cabeça. Não se preocupe, não vou contar o que eu fiz hoje e como anda minha interessante vida. Aqui você vai encontrar pensamentos, histórias, crônicas, textos, experiências, pessoas que andam por aí (reais, virtuais ou imaginarias), comentários e dicas sobre o que gosto, ou não. 

P: Quanto custa?

R: Nada. Mas quando estiver lendo cuidado com o seu cartão de crédito.

Aproveite e espero que vc goste!

1 abraço