Lojas Bacanas, Histórias Legais

By fsavone

Quando estava terminando de escrever o texto anterior, fiquei lembrando das minhas lojas favoritas e dos bons momentos que passei nelas.

Na minha fase áurea de consumo de música, lá pelos anos 80, eu trabalhava no centro na Rua Barão de Itapetininga e estava no paraíso das lojas de música.

As principais ficavam pela região. Passei muitas horas em lojas como Bruno Blois, Breno Rossi, Wop Bop, Bossa Nova, Baratos Afins, Museu do Disco e deixei por lá muitos Cruzeiros, Cruzados, Cruzados Novos, já nem lembro mais….

Lembro bem de alguns momentos inesquecíveis de uma época de descobertas. Ai vão alguns:

- Numa tarde chuvosa de sábado eu estava na Bruno Blois da 24 de Maio vendo os lançamentos, quando um dos vendedores da loja entra correndo e esbaforido informa que ”o Raul estava entrando na loja”. Os vendedores euforicos já se preparavam para mostrar as novidades do velho e bom rock´n roll para o Raul (Seixas), quando o cara entra e pergunta pelo depto de clássicos. Informado que ficava no segundo andar, se dirigiu para lá. Aí o vendedor esbaforido decepcionado, desabafa: “p.q.p, o rei do rock entra na loja e vai pro depto de clássicos, porra!”

- Noutra ocasião fui a Bossa Nova, uma loja mais moderninha que ficava no fundo de uma galeria da Barão de Itapetininga, procurar uma fita cassete de um show do “Cocteau Twins”. Esbarro num cara de barba mau feita e camisa de flanela ensebada se deliciando nos LP´s. Era um tal de Renato Russo.

- Assisti um filme (em VHS) bem bacana de nome “A Força do Amor (Breathless)” que era uma refilmagem invertida do clássico “O Acossado” do Godard, com o Richard Gere e Valerie Kaprisky. A música era muito boa e tinha “Suspicious Minds”, sucesso do Elvis em versão do Fine Young Cannibals. Mas o que me fisgou foi um tema de piano, uma melodia repetitiva e hipnotizante. Tentei ver nos letreiros do filme, pesquisei, perguntei nas lojas.. (na era pré-internet era duro achar…) e nada. Acabei desistindo. Algum tempo depois lí na Folha de SP que o Museu do Disco ia lançar com exclusividade 2 LP´s do Philiph Glass e lá fui eu em busca de novidades. Como a grana era curta tive que escolher um e não pude ouvir pois os discos estavam lacrados. Então optei por um de nome “Glassworks”. Ao chegar em casa, coloquei a bolacha pra rolar… e fiquei sem folego! A primeira música do LP era a que eu havia procurado por tanto tempo. Chama-se “Opening” e ainda hoje é uma das minhas favoritas.

- Na Bruno Blois tinha um vendedor que dava show. Um cara jovem, uma farta cabeleira, acho que era mineiro. Atencioso, sabia de música e conhecia a arte de vender. Sempre me fazia sair da loja com uma sacola carregada de “bolachas”. Numa determinada ocasião não o encontrei mais. Fui informado que havia saído do emprego. Continuei comprando por lá e em outras lojas também. Depois de muitos anos, meu amor pela música me levou à trabalhar no ramo. Numa ocasião, acho que em 1999, estava visitando uma feira do segmento e ao passar num determinado stand, ouço alguém perguntar: “Você ainda gosta de Paulinho da Viola?”. Olhei pro cara e então…. demorei alguns segundos para reconhecer. Era o tal vendedor, que mesmo depois de muitos anos e das marcas do tempo tinha me reconhecido e também lembrou do que eu gostava. Ele também tinha mudado muito, estava careca e muito mais gordo. Contou que havia deixado a loja pois recebera um convite para trabalhar no depto comercial da gravadora BMG. O nome não estou bem certo se era Nilson ou Newton.

16 Respostas para “Lojas Bacanas, Histórias Legais”

  1. Zannin Disse:

    Po Felipe.. vivo com vontade de copiar seus posts. hehe

    Apesar de bem mais novo e de não ter curtido tanto as bolachas, tenho algumas histórias também (menos celébres e mais pessoalmente memoráveis).

    Acabei de ver um negócio bem legal que de repente pode ressusitar algumas “lojas de música”. É um projeto de uma menina de 22 anos. São “discos” de artistas, só que em forma de pen drives.
    É só projeto, mas vale dar uma olhada: http://www.alice-wang.com/audiosticks.htm

    E apesar de tudo, ainda quero comprar a discografia do Jethro Tull em cds originais. hehe.

  2. Felipe Savone Disse:

    Fala Zanin, pode fazer o que vc quiser com eles… Afinal acho que vc deve ser o único que lê.. he he
    E engraçado pois as coisas das lojas de cds foram mudando aos poucos. Primeiro os atendentes deixaram de ser os caras legais que amavam música e entendiam.. E aos poucos elas sumiram de vez. Foram substituidas por Fnacs, Saraivas…. Nada contra Fnac, mas é uma outra experiência.
    Tem algumas outras historias bacanas… quem sabe não gera um capitulo 2!!!
    Como tudo na vida (fora os Dinossauros e Beatles) acho que as lojas não vão acabar. Vão ter uma outra proposta e um outro lugar no mundo, prestando outros tipos de serviços.
    Vou conferir o link. Valeu!!
    P.S. Não conhecia esse teu gosto 70tista por Jethro Tull!!!

  3. Alexandra Disse:

    ei Felipe,
    é muito divertido é passear com você pelo centro da cidade atrás de um disco. Apaixonante seus fotogramas musicais.
    :o )
    xx
    Ale

  4. fsavone Disse:

    Oi querida, tks pelo comentário. Tenho que aproveitar enquanto ainda tenho memória.. he he…
    Tem um monte de coisas que queria escrever (contar). Mas já está faltando tempo.
    Tks também pelo pacotinho! 1 beijo
    Felipe Savone

  5. Ricardo Solidade Disse:

    Caro Felipe.

    Comigo acontece algo nesse sentido principalmente com livrarias e bancas de jornais. Sempre fiz questão, por exemplo, de comprar o jornal diretamente com o jornaleiro. Lembro que fiz muitas amizades com os comerciantes alí na região da Abril na época da Usina do Som (por vezes chegava até a região da Pedroso! hehe).

    Lembro-me de uma história interessante que me aconteceu numa livraria uma vez. Conheci um atendente que era fantástico. O cara manjava tudo, parecia que ele lia todos os livros que chegavam lá. E qua era o segredo? Certamente ele lia bastante mas ele fazia questão de ler as resenhas de contra-capas e de orelha dos livros que chegavam.

    Creio também que as lojas não sumirão. Lembro que só consegui encontrar alguns CDs do Celso Fonseca em lojas de sebo aqui em São Paulo – gosto muito da Pop’s Discos, alí na Teodoro Sampaio. Também nada contra as FNACs e Saraivas da vida, mas certamente as experiências são diferentes. E tem também o lance da internet onde surgem umas certas “comunidades de afinidades” que juntam gente dos mais diversos cantos.

    Abraços,
    Ricardo Solidade

  6. fsavone Disse:

    Oi Ricardo, bacana que vc apareceu por aqui. Também acho banca de jornal o máximo. Uma pena que cada vez tá mais díficil achar as legais.
    A Pop´s é muito boa também. Apesar de que vou pouco por lá.
    Tem uma outra que estive algumas vezes e que era demais, a Marche Discos.. E isso me faz lembrar de outras histórias, que vou ter que escrever….
    Acabei indo parar lá, quando estava no MusiClub e fizemos um projeto especial de bossa nova um encarte comemorativo onde lançamos pela primeira vez (em cd) títulos bem legais da Elenco, que nunca tinham saído no formato. A consultória e apresentação foi feita pelo Ruy Castro, e por indicação dele fui lá na Marche (com meu amigo e professor musical Marcus Kilzer) ver se conseguiamos capas de LP´s para o relançamento, uma vez que a gravadora não tinha o material (!!). O Mário, dono da loja, nos recebeu com muita cordialidade e emprestou da sua própria coleção uma capa que precisavamos. Havia outra que estavamos atrás, da Nara Leão, e que ele não tinha e acabei conseguindo na Bartos Afins. Depois de utilizar a capa emprestada devolvi juntamente com o LP da Nara de presente. Afinal tal LP não poderia ficar em melhores mãos.

    Em outra ocasião estava na loja conversando com um funcionário do Mário (puxa, não lembro o nome), e eu lembrei de um objeto de desejo, o projeto de Natal Band Aid com “Do They Know It´s Christmas Time”.
    O cara comentou que tinha uma cópia extra do compacto e que me daria de presente. Isso mesmo, ele não vendeu, ele me deu de presente o tal compacto. Pura “brodagem” de quem é apaixonado por música!
    Guardo este compacto com muito carinho, junto com um outro promocional do Rumo que tem a canção do carro (quem quer passear de carro, quem quer passear de carro, quem quiser passear de carro então vem passear de carro.. brrrr, brr, brrrr).

  7. paulo Disse:

    Pois é velhos tempos Bruno Blois jamais vou esquecer dessa loja onde trabalhei no final da decada de 80, foi la apredendi tudo que sei até hoje para
    se ter uma idéia no final de 89 ja era vendido o video laser, uma especie de DVD com som e imagem digital, mais era só pra quem tinha muita grana a Bruno Blois era pioneira em tecnologia trazia muita novidade foi la que aprendi informatica saudades….

  8. picida ribeiro Disse:

    Nossa! Fóra tudo de bom que li no seu blog, ver voce falando dessas lojas…desses discos… Conheci a Bossa Nova Discos de perto.Vi e vivi coisas e pessoas interessantes por lá. Se um dia quiser mais histórias é só falar… Sou irmã de um dos donos da loja Bossa Nova, o Pardal.

  9. ana clara Disse:

    não tem histórias

  10. joao Disse:

    tirando o começo o meio e o fim ficou bom.

  11. cleyson gomes dos santos Disse:

    EU gostei de todas as copas foram muito legais e gostei demais vou ler tudo e novo para ser mais inteligente e aprender a ler e escrever para ficar alfabetisado e saber escrever redações muito legais e ser inteligente e bonito.
    MEU comentario foi esse adorei waleu

  12. Wilson Tadeu D.Monica Disse:

    Muito legal !! adorava passar na Bruno Blois para ver as novidades dos aparelhos de som, lembro-me que existia uma sala onde os aparelhos eram expostos tinha ar condicionado toda acarpetada era um luxo, foi lá que comprei meu Pick-Up Tape Deck e 2 caixas Acusticas todas da Gradiente que tambem não extiste mais uma pena!!! saudades!! Abraços!!

  13. Rogerio Disse:

    Teste, teste, teste

  14. Aguinaldo Alberto Disse:

    Caro, parabéns pelas histórias. Muito legal. Eu sou da época dessas lojas mas nunca as visitei, somente olhando as propagandas da finada revista SOMTRÊS. Aqui em Sorocaba também tinha uma loja grande chamada Center Musical. Lembro uma vez que teve um dia de autógrafos com o Patrick Hernandez (Born to be alive) e deu o maior rebu de tanta gente que o cara teve que sair correndo…Grande abraço.

  15. Paulo Souza Santos Disse:

    Trabalhei na Bruno Blois 24 de Maio 215 (em frente ao banco Finasa, Audio, ao lado da Besni e Brenno Rossi) entre 1983 e 1989, quando saí para trabalhar em uma industria de embalagens em Guarulhos…
    Aqueles eram os anos dourados…muita tecnologia de som, muita músicas nacional e internacional…
    Nossa loja tinha uma concorrência terrível (Mappim, Mesbla, Casas Bahia, Casa Centro, Cinótica, Fotótica, Amarosom, Tapesom, Audio e toda Rua Sta Ifigência, etc…), mesmo assim vendíamos muitos equipamentos, principalmente os melhores, importados e nacionais…
    Era possível levar o cliente em uma sala de som toda instalada e colocar o que gostaria de ouvir (discos e cds de clássicos, rock, pop, jazz,samba, etc.) em todos os equipamentos possíveis e deixar o cliente encantado…
    Muitas ótimas recordações desta fase..
    Meu contato: antoniopaulo@terra.com.br

    sds

  16. Lucato Disse:

    Legal este seu post com o comentário sobre o vendedor na Bruno Blois. Isso me fez lembrar de outro vendedor fera na Bruno Blois que trabalhou no setor de discos no Shopping Morumbi. Creio que entre 85/86, época que trabalhei lá também, mas eu era vendedor de informática. Pois é já tinhamos os computadores da Prológica, Z-80, etc. Heheh. Bem, se não me engano o nome dele era Vinicius, mas a gente o chamava de “Profeta”. Tinha farta cabeleira também e barbudo. O “Profeta” manjava muuuuuuito e de tudo! Você falava o nome e ele ia direto no LP no meio de milhares nas bancadas. Conhecia todas as bandas, artistas, histórias, etc. Eu ficava impressionado com o conhecimento do cara. Velhos tempos. Eita época boa. Várias pessoas legais como o Marquinhos, Duarte (E.T), Marcos (“o doido”), segundinho, sérgio, a zica e muitas outras pessoas muito bacanas.

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