Posts de Janeiro, 2007

O melhor time de todos os tempos.

Janeiro 12, 2007

Este texto deveria ter saído no ano passado, por vários motívos. O primeiro, o rebaixamento para a segunda divisão da Juventus de Turim, que era a inspiração do “meu time” de todos os tempos. O segundo foi que lá pelo final do ano recebí uma mensagem no Orkut de um cara perguntando se eu me lembrava das grandes jornadas do futebol de botão.. e aí uma avalanche de lembranças…. Mas vamos por partes, e algumas explicações.

Lá pelo começo dos anos 70 eu era um garoto de classe média, morador do Bixiga e estudante de escola pública. E que tinha no futebol a sua grande paixão. Andava com o  manual do Zé Carioca prá cima e prá baixo e sabia decor as informações (ainda hoje lembro das explicações para “A Furia”, “Ferrolho” e as frazes de Neném Prancha). Acompanhava as transmissões dos jogos do Verdão, que estava na fase final de glórias e que mergulharia nos terríveis anos da fila sem títulos, pela rádio Jovem Pan (até hoje sou fiel a ela) e sua imbatível equipe esportiva. Locutores: Osmar Santos, Edmar Anusek. Repórteres de Campo: Flávio Adalto (que agora é dirigente e anda fazendo trapalhadas no Corinthians), Candido Garcia, Fausto Silva (quem diria…) e Wanderlei Nogueira. Os comentaristas, se não estou enganado eram Leonidas da Silva, o Diamante Negro, e Randal Juliano. Teve uma vez que eu e um colega fomos lá no centrão sozinhos para pegar a tabelinha do campeonato paulista da Jovem Pan.

Bom mas voltando para o assunto principal, as partidas de futebol eram reproduzidas em casa, no futebol de botão. Inicialmente eram os botões de plástico que traziam as reproduções das fotos dos jogadores (lembro que no meu Palmeiras havia o Gildo que fazia muitos gols) e depois com os celuloides, botões de tampa de relógios. Era uma alegria, eu e meus irmãos disputando as partidas. Em especial com o meu irmão Miguel mais velho e de idade mais próxima, que era meu companheiro de brincadeiras, em especial no futebol de botão. É claro que em muitas vezes as partidas terminavam em porrada e sem a presença das torcidas organizadas. Além de jogar narravamos as partidas e reproduziamos o ruído da torcida. Nisso meu irmão era especialmente hábil e durante muitos anos achavamos que ele se tornaria narrador esportivo.

Mas ai é que entra em campo o “maior time de todos os tempos”. Em nosso prédio morava o Zeca, um primo distante de parentesco mas muito próximo de convivio, e que em uma ocasião me presenteou com uns 7 botões de celulóides. Eles eram pintados com tinta preta e apenas um em branco.

Gostei do time e precisei completar as posições que faltavam. O goleiro era feito de caixa de fósforos. Para a cabeça de área peguei uma tampa de relógio das grandes, pois ocupava mais espaço e facilitava a retomada da posse de bola. Para a lateral uma outra tampa, forte e robusta, que evitaria as subidas dos pontas adversários. Na meio uma tampa pequena e baixa, para as finalizações por cobertura. Desta forma estava tomando forma um esquadrão. Mas faltava um time para batizá-lo, afinal todos os times de botão tinham seus correspondentes no mundo real!

Neste época eu começava a me interessar pelo futebol de fora, apesar das dificuldades em se obter informações sobre os campeonatos e jogadores. E então criei uma enorme simpatia pela alvinegra Juventus de Turim e pelo seu atacante de cabelos grisalhos, Roberto Betega. A Juventus vivia um dos seus muitos momentos de glória, conquistando títulos e tendo em seu plantel os melhores jogadores da Itália. Como os meus botões eram pretos, foi fácil a associação e então acabou nascendo a Juventus de Turim, de futebol de botão.

Este time tinha uma mágica e era praticamente imbatível. Com outros times normalmente meu irmão saia vencedor, mas com a Juventus a coisa virava. Em qualquer que fosse o campo, no de madeira compensada, no “Estrelão” (o modesto campo de futebol da Estrela que mais parecia a Rua Javari) ou até mesmo na mesa da cozinha que era o nosso Maracanã particular, a Juventus dominava seus adversários com categoria e raça.

Os destaques do time eram o camisa 10, o botão branco, de tamanho médio e que com seu toque preciso, distribuia o jogo e ditava o ritmo do time. Parecia o Ademir da Guia.

No ataque o destaque era o ponta direita (meio rajadinho) e que era um craque nas finalizações por cobertura. Ele foi alvo de uma ”grave contusão”. Numa ocasião estavamos jogando no chão do prédio onde moravamos, que tinha um piso adequado para a prática do esporte, quando alguém que passou (não lembro se minhã mãe ou um dos irmãos mais velhos) pisou no atleta…. que rachou ao meio. Dá prá imaginar o meu desespero ao ver que o time poderia ficar desfalcado de uma peça tão importante. Era mais ou menos como a fratura da perna do Mirandinha. Depois de muito choro me dediquei a recuperação. Verifiquei que as parte se encaixavam e então cuidadosamente com uma fita adesiva colei a parte de baixo. E então o atleta estava inteiro novamente. Ele foi poupado das primeiras partidas e logo estava de volta, e ainda melhor. Pelo fato de haver uma ruptura no meio acho que a pressão dos chutes a gol faziam a bola voar para as metas adversárias com maior precisão. Para não desgastar o jogador  reservava para ele o segundo tempo das partidas, e então ele se transformou no Fedato do meu time.

E a carreira da Juventus de botão partia para conquistas mais distantes. Meus colegas de colégio também gostavam de futebol de botão e então combinavamos de disputar campeonatos na casa de um deles, o Miguel (mesmo nome do meu irmão), morador de cômodos simples na Vila Itororó. Mas o que importava para nós é que ele tinha um excelente campo. Ele havia traçado as linhas na mesa da mãe, que se transformou em nosso campo oficial. Foram vários e vários torneios e a Juventus sempre vitoriosa.´

É claro que eu disputava também com outros times, pois reservava a Juventus para as ocasiões especiais. Outro time vitorioso que possuí foi o XV de Jaú, mas que não se compararou a Juventus.

A vida passou, outros interesses apareceram, as meninas começaram a se tornar mais interessantes, logo depois o trabalho… e o futebol de botão ficou no passado.

Depois de muito tempo, numa crise saudosista fui procurar este grande time. Nossos botões ficaram com o meu irmão Miguel, que tem um filho e que acreditavamos poderia ser o nosso herdeiro no esporte. Mas em tempos de Fifa Soccer no computador ou video game.. impossível (até eu aderi a prática do futebol digital). Descobri então que meu irmão havia desmanchado o time para dar origem a outros. No fundo no fundo acho que foi um ato de vingança pelas clamorosas derrotas que  a Juventus impunha em seus adversários.

Deste inesquecível time sobraram 3 botões (além do técnico e presidente do time) para contar a história. Eles podem ser vistos nas fotos abaixo, entre eles o grande ponta direita, colado com durex!

 juv-1.jpg    juv-2.jpg  juv-3.jpg

Eu te amo, porra!!!

Janeiro 12, 2007

O título é só uma homegagem ao Jesse Valadão, que foi desta para melhor!

Fazia tanto tempo que eu já nem sabia mais como postar.

Para começar o ano, uma listinha das coisas bacaninhas que andei ouvindo.

> Gnarls Barkley – St. Elsewhere

Gnarls Barkley

O ”disco do ano” e que apareceu em todas as listas de melhores. Mas é bom mesmo. Acho que os caras nunca mais vão conseguir fazer outro com tantos hits. Só falta descobrirem que eles são os novos “Milli Vanilli“.

> Jorge Drexler – 12 Segundos de Oscuridad

  Jorge Dresler - 12 Segundos

 O melhor disco de MPB do ano… só que cantado em outro idioma…. Namora muito com a música brasileira. Tem regravação de música dos Titãs (ponto de destaque) e participação da Maria Rita (ponto fraco). Poesias inspiradas, melodias agradáveis.. gostoso de ouvir.

 > Delicatessen – Jazz + Bossa

Delicatessen

Uns gaúchos que fizeram um projeto de regravação de antigas canções de jazz com uma levadinha do nosso maior produto de exportação, a bossa nova. A minha favorita é “In a Mellow Tone”. Em novembro eles passaram  rapidamente por S.Paulo para um show e lá fui eu. Foi um charme a vocalista sentadinha numa cadeira alta virando prá lá e prá cá com seu sapatinho vermelho. O problema foi que o Bourbon colocou uns estudantes de música prá se apresentarem antes do show e isto gerou atraso grande.. E aí na hora do show as famílias e amigos dos estudantes estavam excitados demais… e pouco interessados no show. Acabei indo embora antes do fim, e espero voltar a vê-los ao vivo em breve em melhores condições.

> Regina Spektor – Begin to Hope

Regina Spektor

Este é da praia Indie. Sei pouco da moça. Parece que é russa, baseada em N.York e amiga da turma do Strokes (grupo que foi atacado pela maldição do primeiro disco). Este é o segundo cd da moça (o outro eu não ouvi) e tem um monte de canções legais.

> Keith Jarrett – Carnegie Hall Concert

Keith Jarrett

Sou fã do cara e espero ansiosamente o lançamentos do seus discos. Adoro os 2 lados do trabalho dele, o de improvisão sobre os temas (com os seus característicos gemidos) que são “viagens”, sem atrasos de aeroporto, cancelamento de vôo e greve de controladores, e também o trabalho de gravação de standards, na maior parte das vezes em trio. Neste cd gravado ao vivo em 2005 e que foi o lançamento do ano do artista, ele está sozinho. E tem a regravação de “My Song”, uma de suas mais lindas canções, que acabou ficando melhor sem o saxofone do Jan Garbarek que é adocicado demais pro meu gosto.

2 menções - discos que não são do ano mas que adorei ouví-los em 2006:

> Hard-Fi – Stars of the CCTV

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Finalmente um cd de rock na lista.. he he… Outro da praia indie e que é lá do começo de 2005 e que desbancou o Keane da minha lista de “melhores novas bandas”. Não canso de ouvir “Cash Mashine” e “Hard to Beat”.

> Imogen Heap – Speak for Yourself

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Outra cantora (acho que é inglesa) e que ouvi uma música na trilha da série Six Feet Under (assisto a série em DVD junto com minha “cara metade” e estamos nos últimos capítulos da 4° e última temporada). Ví que estava bem contado no iTunes e fui ouvir. E não é que gostei. Adoro “Goodnight and Go”.

 Ai está! Ao olhar pra lista senti falta de música brasileira. Fiquei pensando e concluí que  nada me empolgou neste ano (nem mesmo o novo Caetano,  que sou fã de carteirinha, mas que prá mim soa como o velho álbum “Velô”.

E umaa constatação: ando sem muita paciência para rock’n roll.