As Minhas Copas do Mundo – 8

Julho 5, 2006 por fsavone

Assim como a atual Copa, tá na hora de acabar com esta novela das minhas copas.

Em 94 voltamos a ser campeões. Novamente sem empolgar, com futebol pequeno, mas com Romario na área para empurrar a bola prá dentro.

Na minha Copa de 94 aconteceu algo inacreditável. Mas que é a mais pura realidade.

A grande final seria, mais uma vez, contra a Itália. Decidi assistir na casa do meu irmão Miguel. Após o almoço lá estavamos nós na frente da TV acompanhando a partida. Um jogo nervoso, com pouca emoção, quase nenhum lance de gol, e que ia prá prorrogação. E eins que quando a prorrogação estava quase no final….acaba a luz!!

Sim, senhoras e senhoras, ficamos sem energia elêtrica…. sem luz….bem na final da Copa, e quando ela caminhava para os penalties.

Depois de xingar a Eletropaulo, Light, e tudo o mais, tinhamos que decidir o que fazer.

Ligamos para outro irmão que morava perto e lá também não havia energia, mas na casa da minha irmã, que não ficava muito longe, tinha. Então corremos todos para lá.

Quando cheguei a cobrança dos penalties já tinha começado. A casa lotada e eins que… Robertobaggiopráfora…….. Brasil Tetra!

Com este stress todo nem curti tanto o título. Fiquei meio que anestesiado!

Não sou o tipo de torcedor que vai prá rua comemorar título. Prefiro acompanhar os comentários do pós jogo. Então rumei prá minha casa perto da avenida Paulista, local oficial das comemorações.

E eins que ao chegar lá me defronto com uma multidão enlouquecida ocupando o espaço dos carros. Apesar do aperto consegui atravessar pro outro lado cruzando a multidão, e chegar em casa sem quase nenhum arranhão!

As Minhas Copas do Mundo – 7

Julho 1, 2006 por fsavone

Na Copa de 90 assumi de vez meu lado italiano e minha torcida pela Azzurra.

Alguns meses antes da Copa estive na Itália e pude constatar que não se cogitava a possibilidade da Itália perder a Copa, que seria disputada em casa. O tema musical composto para a Copa era contagiante, “Una Estate Italiana” cantado por Gianna Naninni e Edoardo Benato. O time não era lá essas coisas e trazia em seu ataque o siciliano Totó Schilachi, que acabou como artilheiro da Copa. Com seu futebol de resultados, a Itália chegou até as semifinais ao se encontrar com a Argentina.  

Nossa seleção, a geração Dunga conduzida por Lazaroni, logo foi despachada pela Argentina, com um golzinho do Caniggia em lançamento de Maradona. Quem diria que Dunga renasceria das cinzas, levantando do título em 94.

Acompanhei a Copa com muito interesse e assisti muitas das partidas. A cena que mais me marcou foi a confraternização dos atletas das seleções da Itália e Inglaterra, no termino da decisão de 3° lugar, vencida pela Itália. Está era a forma que as partidas deveriam acabar, vencidos e vencedores em comunhão. 

A decisão foi uma repetição da Copa anterior, mas com um resultado diferente. Alemanha campeã, pela terceira vez. Agora não estavamos mais sozinhos no topo dos vitoriosos. Mas seria por muito pouco tempo…

As Minhas Copas do Mundo – 6

Julho 1, 2006 por fsavone

A copa de 86 foi a que pela primeira vez esbarramos fatalmente na França. Nossa seleção era uma continuidade da de 82, só que piorada. Poucas lembranças. Se este blog fosse escrito por um argentino o relato seria épico e grandioso.

Destaques:

Os surpreendentes gols do lateral Josimar.

O show do Maradona. Em especial contra a Inglaterra. Falando nisso outro dia ví uma camiseta ótima (me arrependi de não ter comprado). Trazia um diagrama do antolôgico segundo gol, mostrando o caminho de Maradona, superando vários adversários, até o gol.

No final de semana que o Brasil enfrentaria a França eu estava em Florianópolis, participando de uma viagem convite da Vasp (se não me engano).

A viagem foi ótima e fui até confundido com o Fábio Junior na saída do hotel. A partida cruscial assistí em um hotel em Santo Amaro da Imperatriz, uma pequena e charmosa cidade próxima à Florianopólis.

A partida foi nervosa e na hora dos penalties resolvi não assistir. Sai para caminhar sozinho por um lindo e comprido jardim do hotel. Fiquei um bom tempo neste passeio solitário, e no retorno ao hotel soube da desclassificação. Era como se eu tivesse uma plaquinha, “Galvão, eu já sabia”!

A finalissima acompanhei em casa, com uma leve preferência pela Argentina. O talento de Maradona merecia ser reconhecido com título mundial.

Além disso esta partida entraria para minha história pessoal. Foi a última, de uma Copa, que assisti junto com meu pai.

Apesar de não demostrar preferências por times, ele gostava muito de assistir as partidas do seu lugar favorito no sofá, sempre com uma cervejinha gelada. Nos lances agudos se contorcia e preparava o chute como se fosse o centroavante, pronto para fazer o gol e correr para o abraço.

As Minhas Copas do Mundo – 5

Junho 26, 2006 por fsavone

Sobre 82 muito já se falou e ainda se falará. Provavelmente a 2° melhor seleção de todos os tempos, só superada pela de 70. Carregando o estigma de não ter vencido.

Um time quase perfeito, montado pelo mestre Tele Santana. 

Apesar de que a meta deveria ter sido defendida por Leão e não por Valdir Perez, e nosso centroavante Careca, e não Serginho, grande goleador mas que destoava do estílo clássico do resto do time.

Nesta Copa eu já havia começado a trabalhar e ai já havia o frisson pré-partidas. Sair correndo do trabalho para acompanhar as partidas, vendo a agitação das pessoas com a camisa da seleção.

O narrador da Globo era o bom Luciano do Valle e acho que foi nesta Copa que tinha a coisa da assinatura dos jogadores após os gols. Ou seja o jogador autor do gol dava um “autografo na tela”.

Em fase de contestação nesta Copa eu tinha uma grande simpatia pela Itália, torcendo inclusive pela Azurra. Exceto contra o Brasil!

Eins que o destino coloca a Itália no caminho do Brasil, e estamos prontos, em casa, para assistir a partida. Na arquibancada meu pai, minha mãe, eu e meu irmão mais velho. 3 x 1 prá Itália? Não 2 x 2, pois meu irmão apesar de ter nascido na Itália era uma fanático torcedor canarinho, que se tornou santista devido aos shows de Pelé.

A partida caminhava e meus pais que torciam timidamente foram se inflamando e irritando meu irmão mais velho, e o clima esquentando. E em um momento de tensão, que culminou com o gol do Paolo Rossi, eu tive que intervir para que meu irmão respeitasse o direito de torcida dos velhos, no melhor espírito “fair play”. Uma cena digna de um filme de Fellini.

O resto virou história. A Itália que começou com uma campanha mediocre cresceu na competição e acabou faturando, vencendo a Alemanha na final.

Além de um futebol inesquecível, lembrado e respeitado no mundo todo, a Copa deixou uma inesquecível capa do Jornal da Tarde. Trazendo em destaque a foto abaixo.

 Jornal da Tarde - Copa 82

As Minhas Copas do Mundo – 4

Junho 26, 2006 por fsavone

78 foi um ano cruscial para a minha carreira no futebol, que nunca mais foi a mesma. 

Jogava muito (no sentido de quantidade e não de qualidade) e sempre, após as partidas, sentia uma dor horrível nos joelhos. A ponto de não conseguir dobrá-los. Em uma visita ao médico o veredito foi orto-condrose (não estou bem certo se este era o nome). O tratamento, operação ou imobilização. Meu empresário, (minha mãe) optou pela imobilização. Desta forma ganhei uma infiltração em cada joelho (uma injeção tamanho família) e as pernas engessadas. Pensa só um mês sem poder sair de casa, ir na escola, etc e tal.

O único consolo é que a imobilização ocorreria no período da Copa e poderia assistir a todas as partidas. O sonho de qualquer amante do futebol.

Porém a Copa não foi nada emocionante, a ponto de deixar quase nada digno de nota. O Brasil apresentou um futebolzinho burocrático que levaria o título de ”campeão moral”. A Argentina no melhor espírito “pátria de chuteiras”, estrapolando para os ”povos hermanos” como os peruanos, por exemplo!

As partidas do Brasil eram acompanhadas em casa, logicamente pela dificuldade de locomoção, junto com os amigos de um do meus irmãos que aproveitavam para decorar o meu gesso com as carinhas dos integrantes da banda Kiss.

Nesta época a música já dividia a atenção com o futebol e as brincadeiras de criança. As principais influências eram os meus irmãos, e daí a vantagem de ter muitos irmãos, com gostos bem diferentes.

Lá pró final da Copa não via a hora de tirar o gesso, e quando finalmente ele foi retirado, no mesmo dia, corri prá escola. Correr é força de expressão, pois mal conseguia andar. Mas mesmo assim enfrentei o desafio, pois o que eu mais queria era ir pra escola, nem tanto para estudar e sim para reencontrar os colegas.

Kiss

As Minhas Copas do Mundo – 3

Junho 23, 2006 por fsavone

Na copa de 74 minhas escolhas já haviam sido feitas. Ao invés de marcar gols eu tentaria evitá-los.  Meus ídolos? Emerson Leão e Sepp Mair.

 As Minhas Copas do Mundo - 3. Seep Maier, o grande goleiro da Alemanha. Eu tinha um uniforme igual ao dele!      As Minhas Copas do Mundo - 3. Rei Leão.

Meu clube, a Sociedade Esportiva Palmeiras, vivia uma época de glórias, antes de um longo período de estiagem. Na Itália minha simpatia era pela gloriosa Juventus de Turim (ainda falarei muito dela), despertada pelo centroavante Roberto Bettega.

Meu tempo era ocupado pela escola e pelo futebol nos formatos: rádio, tv, de rua e de botão. Esta não foi uma Copa que empolgou. Acho que ainda não tinha maturidade para entender, e prestar atenção, na Laranja Mecânica e identificar a sua importância para o futebol mundial. Nossa seleção não transmitia confiança, apesar de contar com vários craques do melhor time da época, o meu Palmeiras, é claro! É frustrante lembrar que um jogador da categoria de Ademir da Guia não teve oportunidade, jogando apenas na decisão do 3°e 4° lugares.

Meus melhores momentos:

- a abertura da Copa com umas bolas que se abriam e que apresentavam manifestações culturais dos países participantes.

- o sufoco da primeira fase.

- o jogador do Zaire pegando pelo pescoço um dos nossos.

- o gol de falta de Rivelino (olha ele ai de novo!) contra a Alemanha Oriental colocando a bola no espaço deixado por Jairzinho que havia se infiltrado na barreira alemã.- a nossa clamorosa derrota frente à potência holandesa.

- o boato (que seria confirmado no futuro) da porrada que o Leão havia aplicado no lateral Marinho Chagas que se mandava para o ataque deixando a defesa descoberta.

- o gol de falta de Nelinho na decisão de 3° e 4° contra a Itália.

A final transcorreu sem grandes emoções durante o tradicional almoço dominical familiar em que o macarrão era sempre titular.

           

As Minhas Copas do Mundo – 2

Junho 22, 2006 por fsavone

A primeira que procurei foi a de 66. Mas nada! Nem um rojão, um grito de gol que tivesse me acordado. Nesta fase eu estava mais preocupado com o leitinho de cada dia ou com a fralda molhada. Melhor assim, afinal o desempenho da seleção não foi digno de lembrança.

Na de 70 eu tinha 5 anos e pouco, e foi uma Copa inesquecível. Pelo menos é o que sempre me disseram. E o que depois eu pude ver, com meus próprios olhos, nas reprises dos jogos. Lembrar mesmo só de poucas coisas. A primeira é do jogador Petras da Tchecoslováquia, comemorando o gol contra o Brasil de joelhos fazendo o sinal da cruz, ato que repeti nas brincadeiras dos dias seguintes ao jogo. A mesma comemoração foi também repetida, várias vezes, por Jairzinho.

Esta já era uma Copa de televisão, mas na lembrança seguinte estou sentado no chão da sala brincando, provavelmente de forte apache ou futebol de botão, e o rádio ao fundo narrando Itália e Alemanha, pelas semifinais da Copa. Um sensacional 4 x 3, decidido na prorrogação. Como somos imigrantes italianos, em casa, sempre torcemos por 2 seleções, Brasil e Itália. Em 70 acho que não teve confusão, mas nas Copas seguintes….. mas isto fica para os próximos capítulos.

Na seqüência já vem a final. Brasil x Itália, numa tarde de domingo. Morávamos em um pequeno prédio do Bixiga e tínhamos como vizinhos um casal de italianos, vindos da mesma cidade dos meus pais, o Mário e a Sisina (apelido de Tereza). Por alguma razão, lá estava eu assistindo o jogo com eles e me recordo muito bem do Mário orgulhoso de pé, vestindo uma “canutiera” (aquelas camisetas brancas sem mangas, prudentemente utilizadas pelos italianos por baixo da camisa), com a mão no peito cantando o hino da Itália. Fiquei por lá até o Brasil virar o jogo, apagar a empolgação do Mário, e entrar para a história como a melhor seleção de todos os tempos. Se apagou da minha memória o fim do jogo, os fogos, a comemoração…

No dia seguinte ao título estou sentado na escada do prédio brincando com uma linda menina, loirinha, olhos claros chamada Célia, neta de outros vizinhos. Nas mãos um adesivo da Copa com o Tigrão da Esso, que ganhei de meu pai.

Alguns dias depois meu irmão mais velho aparece em casa com um pôster, acho que editado pela Placar, que trazia uma ilustração de um brasileiro segurando a taça Jules Rimet e pulando com as travas da chuteira na língua de um mestre cuca italiano, para indignação da minha mãe, que até hoje não se conforma cada vez que a Azurra é vencida pelo escrete canarinho.

Outra coisa que impressionou um garoto de 5 anos e pouco, foi uma foto da comemoração de um gol do Brasil. Acho que dá final, que mostrava os jogadores em 3 planos, Jairzinho ajoelhado, Pelé dando o soco no ar e mais alguém chegando ao fundo. Acho que era isso e nunca mais vi esta foto! 

A última lembrança é da chegada dos campeões. Como morávamos próximos da Federação Paulista de Futebol, fui levado pela minha mãe para ver os jogadores que desfilaram pela cidade em um carro de bombeiros. Era uma grande multidão e eu pequenininho lá no meio tentando ver alguma coisa. Provavelmente os jogadores paulista, Leão, Ado, Clodoaldo, Carlos Alberto… Mas de um eu me lembro muito bem. Roberto Rivelino e sua patada atômica!

Curioso notar que de futebol mesmo (gol, jogadas, dribles e defesas) não lembro de nada. Nesta fase me ligava mais nas coisas que estavam ao redor do que com o próprio futebol. 

 brasil701.jpg

As Minhas Copas do Mundo – 1

Junho 22, 2006 por fsavone

Não sou muito chegado a exercícios físicos. O que eu gosto mesmo é de exercitar a cabeça. Ponho a cabeça pra “malhar” e vejo até onde ela consegue ir.

Um exercício que faço, às vezes, é tentar voltar pra traz e identificar a primeira lembrança que tenho da vida. Não há nada de especial nisso e provavelmente muita gente já fez ou ainda tenta fazer o mesmo. Fico assim parado e vou tento buscar referências, fatos, idéias, pra ver até onde isso vai dar. Muitas vezes procuro ajuda nas pessoas próximas, nas fotos, um fato, um objeto, algo que desencadeie uma avalanche de lembranças. Devo confessar que o desempenho da minha cabeça não é lá essas coisas. Nunca consegui ir muito longe, e mesmo assim quando aparece algo não é muito rico em detalhes.

Nestes dias comecei a ler “O Guia Cult para a Copa do Mundo”, um livro com diversos textos de autores dos países que disputam a Copa. Na introdução do livro há um relato dos editores sobre as suas experiências nas Copas.

Resolvi então revirar a minha cabeça para ver quais eram as minhas lembranças das diversas Copas, desde que coloquei os pés neste planeta redondo.

Pontapé

Junho 21, 2006 por fsavone

Há algum tempo sinto vontade de escrever. Quando a vontade vem eu fico parado e em silêncio até a vontade passar… Hoje ela não passou.

Então prá começar um rápido FAQ: 

P: Quem é você?

R: Se você não sabe, provavelmente chegou aqui por engano. Então se comporte direitinho ou os seguranças vão te por prá fora.

P: O que é esse tal de Bebop?

R: Digamos que é uma religião que não cobra dízimo e tem um monge entre seus criadores. Um gênero musical que, no final da primeira metade do século passado, quebrou as estruturas e revolucionou o jazz.  Música para ser ouvida com ritmo, velocidade, virtuosismo, improvisação e complicadas harmonias. Não é prá qualquer um não. Quer saber mais? Ouça Charlie Parker, Dizzy Gillespie e Thelonious Monk.

P: O que é essa coisa escrita embaixo do nome?

R: "Ccà nisciuno è fesso" é um proverbio napoletano que quer dizer, aqui ninguem é estúpido, bobo, trouxa…

P: O que eu vou encontrar aqui ?

R: Digamos que é a "Caras" da minha cabeça. Não se preocupe, não vou contar o que eu fiz hoje e como anda minha interessante vida. Aqui você vai encontrar pensamentos, histórias, crônicas, textos, experiências, pessoas que andam por aí (reais, virtuais ou imaginarias), comentários e dicas sobre o que gosto, ou não. 

P: Quanto custa?

R: Nada. Mas quando estiver lendo cuidado com o seu cartão de crédito.

Aproveite e espero que vc goste!

1 abraço